Chaves para a Mudança – Dois  por Tom Condon

Chaves para a Mudança – Dois por Tom Condon

Genericamente falando, a escolha de vida básica do tipo Dois é ser egoísta, seja honesta ou cegamente. No primeiro caso, ele assume a responsabilidade direta em atender às suas próprias necessidades e doar o que resta aos outros – emprestando a si mesmo para os demais, mas entregando-se apenas a si próprio.

Os Dois precisam ser ajudados a desenvolver uma moldura interna de referência – um senso mais acurado de si mesmos e de suas necessidades, uma noção subjetiva mais definida de onde eles terminam e onde as outras pessoas começam. Isso auxiliará os indivíduos do tipo Dois a manterem os limites apropriados nos relacionamentos íntimos e significativos; os capacitará a dizer “não” e a perseguir confortavelmente o que desejam para si, ao invés de obtê-lo manipulando ou agradando aos demais.

Pessoas deste tipo também precisam aprender a pormenorizar, apreciando os detalhes ao invés de focalizar somente no quadro geral. Elas precisam aprender a pensar – a usar seus sistemas internos visual e auditivo de forma mais ativa, e a valorizar estes sistemas tanto quanto valorizam suas sensações cinestésicas. Também pode ser muito proveitoso para eles desafiarem sua própria leitura mental, e desenvolverem a capacidade sensorial de flutuar acima das circunstâncias e dos relacionamentos, enxergando-os de uma posição imparcial.

Dois podem ser motivados a crescer e a mudar por uma variedade de razões, entre elas: querer entender seus relacionamentos; resolver conflitos interpessoais; recuperar-se de um relacionamento no qual perderam a si mesmos; depressão; a sensação de oscilar entre elevada e baixa auto-estima. Alguns indivíduos do tipo Dois começam a reconhecer o quão sobrecarregados eles se sentem tendo que doar-se aos outros, especialmente se os outros rejeitam esta entrega. Uma pessoa do tipo Dois decidiu entrar na terapia quando percebeu que estava estabelecendo um padrão de fazer o que quer que os homens desejassem, em prol da filha dela.

Problemas relatados aos terapeutas e coaches podem incluir: queixas físicas, misteriosos sintomas psicossomáticos, conflitos sociais, problemas nos relacionamentos, sensação de rejeição, depressão, abuso sexual não resolvido, um desejo por perda de peso, e flutuações no nível de auto-estima.

Boas metas gerais para mudança são: começar a reconhecer como rejeitam suas necessidades e as realocam nas demais pessoas; encarar a sombra de seu próprio egoísmo, desenvolver objetivos pessoais, lidar com a pseudo-emoção como um sinal de negligência do seu eu interior, descobrir a localização corporal de suas emoções reais e aprender a ser apropriadamente assertivos. Cultivar a vida espiritual pode também ser significativamente importante e poderoso para os tipos Dois.

Outro bom objetivo é reconhecer a diferença entre pseudo-emoções e sentimento genuíno. Quando os Dois retornam aos seus próprios corpos e localidades emocionais, a qualidade subjetiva de suas emoções se altera – de histriônica e exageradamente proclamada para pequena e “razoavelmente” proporcionada. Emoções dramáticas são um sinal de que o tipo Dois está negligenciando suas próprias necessidades internas.

Tipos Dois sinceramente se importam em ajudar os outros, e também com o bem estar de sua família, amigos ou encarregados profissionais. O paradoxo envolvido é que para cuidar mais efetivamente dos demais, o Dois tem antes que aprender a ser adequadamente egoísta – de outro modo sua “ajuda” estará invariavelmente contaminada por desejos pessoais.

Com frequência, isso significará descobrir quais necessidades específicas ele definiu como inaceitáveis. O que o tipo Dois insistentemente quer dar aos outros é exatamente o que ele precisa primeiro dar a si mesmo. Quando a necessidade de doar-se compulsivamente emerge, encontre o espelho mais próximo e doe-se à pessoa que enxergar olhando de volta para você.

Posto de outra forma, a meta geral para o Dois é ser capaz de escolher quando se doar. “Ceder automaticamente às outras pessoas costumava ser ok, desde que elas gostassem de mim.” – um tipo Dois comenta. – “Agora eu realmente gosto de ceder. Não me importo se haverá ou não retribuição. Esta é a verdadeira mudança”. Um outro tipo Dois ecoa a afirmativa: “Eu agora posso me sentar no sofá contente enquanto os demais lavam os pratos. Estou muito consciente de quando minha natureza auxiliadora sai dos limites, e consigo várias vezes me impedir de exagerar”. Um terceiro exemplar do tipo complementa: “É ótimo estar próximo das pessoas hoje em dia, e não me sentir compelido a sorrir e manipulá-las para que gostem de mim. Quando quero ficar sozinho, concedo a oportunidade a mim mesmo. Quando falo com alguém, mantenho-me em contato com minhas próprias opiniões. É como se eu tivesse aprendido onde minha pele termina e onde o ar ao redor começa”.

Conselheiros que estejam trabalhando com tipos Dois podem ter que prestar atenção aos seus limites profissionais. Um cliente do tipo Dois poderia tentar igualar sua imagem de um bom cliente, enquanto inconscientemente atenua as fronteiras do relacionamento.

Com alguns clientes Dois, é útil cultivar maneiras calmas e diretas, comunicando que você se importa com a pessoa mas não necessariamente com os dramas dela. Simplesmente prestar bastante atenção a um Dois também é útil em alguns momentos, pois transmite o seu interesse na pessoa real. Os Dois que habitualmente importam-se com os outros podem estar especialmente sedentos por serem tratados da mesma maneira.

Outros tipos Dois, porém, valorizam conselheiros que são agressivamente honestos, quase ao ponto de serem rudes. Dois geralmente são indefinidos a respeito de seus próprios sentimentos e posicionamentos, e um especialista que lhes ofereça um feedback direto dá a eles algo de concreto a que reagir.

Tipos Dois normalmente tem um excelente, mesmo que latente, senso de humor; e algumas vezes estão dispostos a brincar sobre comportamentos que não seriam capazes de admitir diretamente. A auto-imagem prestativa de um tipo Dois não-saudável pode estar singularmente dissonante da realidade, e encarar conscientemente esta discrepância pode ser difícil para ele. Um humor que inconscientemente expõe suas fraquezas é algumas vezes divertido e aceitável para os indivíduos do tipo Dois.

Extraído do Dynamic Enneagram por Tom Condon

www.thechangeworks.com

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