Chaves para a Mudança – Noves – Tom Condon

Tom CondonNoves podem ser motivados à mudança por uma série de razões. Problemas apresentados a conselheiros podem incluir: depressão, procrastinação, falta de foco, senso de alienação, vícios, problemas em relacionamentos, tentativas de mudar a si mesmo por causa de outras pessoas, prioridades confusas, questões relacionadas a direcionamento de vida, e confusões domésticas ou outros dilemas práticos que as demais pessoas na vida do Nove acham que ele deveria solucionar. Uns poucos Noves também vão a conselheiros buscando ajuda para misteriosas enfermidades físicas.

Conselheiros ou representantes de vendas que trabalhem com clientes do tipo Nove se sairão bem se comunicarem um respeito firme, mesmo que seus interlocutores estejam agindo como uma não-entidade. Noves respondem bem quando eles se sentem notados e ouvidos, mas você pode ter que procurar por eles. Deixe-os perceber que você sabe que eles estão ali, ainda que se apresentem a você como uma agradável neblina cor-de-gente.

Geralmente é útil para os Noves a percepção de que eles estão zangados, e o aprendizado de que isso pode ser usado como uma ferramenta efetiva. Em curto prazo, pode ser proveitoso colocar os Noves em contato com a sua raiva. Ela gera certa energia, que pode ser direcionada para auxiliá-los a serem mais honestos com o quanto se sentem infelizes por sua vida não vivida.

Se os Noves simplesmente se colocarem em contato com a raiva mas não se aprofundarem, existe chance elevada de que não consigam gerenciá-la corretamente. O foco precisa estar no ato de assumir a responsabilidade pela forma como eles mesmos negam suas necessidades, antes ainda que os outros o façam. O problema central é que os Noves estão se escondendo, protegendo suas vulnerabilidades ao tornarem-se invisíveis e fingirem não ter uma vida.

Durante o processo, os Noves podem ter que encarar o custo que pagaram pela manutenção dessa defesa de autoanulação. Geralmente é importante para eles respeitar a necessidade passada que criou a defesa, mesmo que estejam trabalhando em desfazer os seus efeitos no presente. Alguns podem precisar reconhecer as implicações mais tristes de fingir não existir, ou até mesmo ficarem chateados com o assunto.

Como os Setes, os Noves têm defesas pessoais que os fazem se sentir melhor, de maneira que tenham uma assimilação mais tênue das consequências. Encorajá-los a “viajar adiante” no tempo, talvez ao final de suas vidas, e experimentar como se sentirão se não mudarem, pode ser um exercício especialmente relevante.

Quando os Noves embarcam em programas de autoaprimoramento, podem abordá-los de um modo distorcido, surgindo com objetivos desproporcionalmente grandes. Quando estiver trabalhando com este estilo, fique atento para metas malformadas ou deturpadas, nas quais o Nove tenta mudar a direção do vento em vez de reajustar as velas do barco. Redimensionar em parcelas menores é importante com este estilo em alguns momentos, uma vez que Noves tendem a exagerar a complicação das coisas. Quando estiver estruturando etapas ou exercícios no tratamento, procure mantê-los simples, procedendo em passos pequenos e óbvios. Se você perceber que um cliente Nove está desmotivado, tome o cuidado de não se tornar prestativo demais, e de não provê-lo com a energia que ele precisa para mudar. Noves têm excelentes instintos sobre as pessoas, e perceberão se você quiser mudá-los por razões pessoais suas—e não deles. É melhor prestar muita atenção a eles e trazê-los para fora.

Quando os Noves decidem se aventurar dentro de sua experiência subjetiva e buscar sinceramente por si mesmos, eles costumam temer inicialmente a possibilidade de não encontrar ninguém ali. É a defesa deles falando; o medo é um reflexo de terem apagado a si próprios. Se um conselheiro for capaz de guiar o Nove além desse medo, o Nove pode descobrir que ele(a) possui de fato um senso de si. À medida que aprende a prestar mais atenção em si mesmo(a), pode vir a descobrir que gosta da pessoa que é. O conselheiro pode então orientar o Nove a tornar-se mais pró-ativo, a estabelecer e alcançar metas pessoais, e a manter confortavelmente os limites pessoais.

Noves geralmente são incongruentes quando se aproximam da mudança. Um cliente Nove poderia dizer, “Realmente desejo conseguir ajuda para a minha perda de audição”, enquanto ao mesmo tempo balança a cabeça em um “não” e reclina-se para longe do terapeuta. Parte dele está dizendo “eu quero isso” ou “eu acho que deveria querer isso”, enquanto outra parte está fatalisticamente convencida de que não funcionará.

Uma porcentagem pequena mas constante dos Noves têm prescrições médicas. Partindo de causas médicas genuínas, uma limitação crônica como a perda de audição poderia servir para manter o Nove fora da trilha de sua vida, para conseguir-lhe alguma atenção, ou para permitir a ele se acomodar em uma família onde apresentar problemas médicos se torne, de alguma forma, o seu papel.

Os Noves têm o que a Programação Neurolinguística chama de longa linha do tempo, o que significa que seu senso interior subjetivo do tempo pode se estender e se perder na distância. Se você fizer a um Nove a pergunta “Quanto tempo você espera viver?”, a resposta geralmente se situa entre os 80 e os 100 anos de idade.

Isso pode afetar a motivação de um Nove para sair de um estado não saudável. Uma vez que a defesa pessoal do Nove é atenuar a quantidade de dor que ele sente, ele pode evitar ficar desconfortável o bastante para querer mudar. Se as décadas também parecem se estender diante dele, o Nove pode começar a sentir que não existe pressa. Essa falta de urgência se combina com a defesa verbal de minimizar as coisas, e torna a procrastinação um caminho atraente de menor resistência.

Noves algumas vezes podem ser motivados à mudança por causa de seu efeito nos outros, embora isso ocorra menos se a outra pessoa assim o demandar. Se o cônjuge está frustrado ou zangado, o cliente Nove pode empacar em uma postura teimosa, hostil. Se o cônjuge está mais evidentemente se importando com o Nove, e é capaz de comunicar sua frustração sem impingir culpa, o Nove pode mudar por amor.

Noves podem ser muito conservadores, não necessariamente em suas políticas, mas em seus hábitos de vida—e especialmente quando se trata de fazer mudanças. Uma atitude de “não balance o barco” pode aparecer facilmente neles. Isso não significa que não sejam capazes de mudar. Apenas quer dizer que precisam trabalhar com a idéia da mudança por algum tempo, em seu próprio ritmo, não importando o que os outros digam. Internamente o Nove pode fazer, por iniciativa própria, a lenta construção de uma decisão. Uma vez que ele tenha se decidido, pode ainda levar alguns meses até que implemente a mudança em si. Contudo, uma vez que ele comece, será impossível de deter. Noves não têm problemas com a ação – eles têm dificuldade em encontrar os cursos de ação corretos a tomar.

Outros Noves funcionam em seu melhor quando estão com as costas contra a parede. Eles podem adiar uma decisão até um ponto em que o desastre esteja pairando sobre eles, para então acordarem e tornarem-se subitamente focados. Noves também são propensos ao que a Programação Neurolinguística chama de experiências limítrofes, aquelas nas quais o Nove persiste suportando um estado não saudável, até o momento em que cruza o próprio limite e já não pode mais aguentar. Neste momento ele desperta, toma uma ação e corrige a situação.

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