Chaves para a Mudança – Setes – Tom Condon

Tom CondonSetes podem ser motivados à mudança por uma variedade de razões, entre elas: tédio, feedback dos outros, problemas com comprometimento, perda de peso ou abuso de substâncias, dificuldades no controle dos impulsos, porque estão preocupados com consequências negativas futuras ou porque a vida é boa e eles querem torná-la melhor. Alguns Setes chegam à terapia como “clientes obrigados”, mandados até lá por uma agência externa por conta de seu comportamento incontrolável, ou digamos, pelo desejo de parar de beber depois de ser preso por dirigir embriagado. O mundo os intima a pôr um fim nisso, e embora a motivação seja externa, ela possivelmente será suficiente. Outros Setes intuitivamente começam a sentir que estão fazendo um “empréstimo às custas do futuro”, acumulando uma espécie de dívida, reconhecendo que os ganhos a curto prazo algumas vezes levam à dor a longo prazo, e também a arrependimentos futuros.

A Programação Neurolinguística faz distinção entre pessoas que são motivadas a seguir na direção de um desfecho positivo versus as que são negativamente motivadas por alguma coisa da qual queiram se afastar. A maioria dos Setes acredita que seja somente positivamente motivada, e quando saudáveis, eles de fato são. Setes mais imersos, porém, são motivados pelas duas possibilidades, mas geralmente estão inconscientes da motivação negativa. Setes que se conhecem bem, ou que estejam deprimidos além de sua capacidade de negar o fato, podem reconhecer sua mistura de motivos.

Essa distinção é relevante porque um cliente Sete pode inconscientemente temer a perda de uma capacidade, e se sentir aprisionado caso acredite que seu estilo de vida será tolhido por um problema. Então eles podem acabar se dispondo à mudança porque inconscientemente temem uma limitação maior. Um Sete, por exemplo, ouviu de um amigo – um negociante de vinhos – que este amigo havia sido proibido pelo médico de um dia beber outra vez. O pensamento de uma restrição tão absoluta apavorou o Sete de tal forma que ele começou a cuidar melhor de si mesmo.

Outro motivador negativo inconsciente: a maioria dos Setes teme que seja inadequada e inconscientemente compara-se aos outros. Isso cria uma temática do tipo “pior que/melhor que” no fundo de suas mentes. Um Sete pode se sentir inferior a alguém a quem admire, e então defensivamente agir de modo superior com relação a outra pessoa para forçar um equilíbrio. Coaches podem estressar o valor da mudança como uma fonte de adequação e competência.

Metas genericamente boas para a mudança são: descobrir um caminho de alegria que incorpore a dor. Aprender a encarar os fatos em ambos os aspectos – positivos e negativos – em vez de compulsivamente enxergar apenas o melhor das coisas. Tornar-se uma pessoa inteira, multifacetada, diversificada. Aprender a viver no centro de sua roda.

Setes precisam aprender a identificar gatilhos que os levam a se sentirem confinados, inseguros ou temerosos, e então lidar com eles cedo ao invés de tarde. Devem desenvolver a liberdade emocional para serem capazes de escolher a disciplina, em vez de inconscientemente visualizarem-na como uma jaula, e então arrebentarem-na para sair. Eles devem clamar para si o poder do autoconfinamento, e não empurrá-lo para longe e depois se sentirem vítimas dele; necessitam descobrir a disciplina que torna a verdadeira liberdade possível. Eles também precisam aprender a ter bom senso ao escolherem com o que irão se comprometer, assim como necessitam aprender a tatear o lado escuro e doloroso de suas experiências e encontrar a força para gerenciá-lo sem fugir.

Terapeutas e coaches que estejam trabalhando com Setes podem precisar ficar atentos a progressos muito rápidos e a oscilações de motivação. Mesmo que um cliente Sete possa estar motivado o suficiente para vir à terapia, ele ainda assim pode tentar manter um pé para fora da porta, ou argumentar que o seu problema não é realmente um problema. Um Sete poderia também estar buscando técnicas para o controle da dor – hipnose e técnicas similares – esperando encurtar o processo terapêutico, e reduzir o próprio desconforto exatamente como o faz em sua vida diária.

Uma vez que a motivação é um ponto de atenção, você pode querer explorar as razões de um Sete para estar na terapia, e mais tarde relembrar o cliente delas durante os momentos de hesitação. Depois de descobrir um botão motivacional que consiga apertar, você poderá utilizá-lo até com mais frequência do que faria com outros clientes. A idéia é manter na mente do(a) Sete o motivo pelo qual ele(a) está em seu consultório, e o que está em jogo ali.

Profissionais podem usar o reenquadramento de um tipo Sete para sua própria vantagem, ajudando os clientes deste estilo a gerenciar questões dolorosas pouco a pouco, e evitando mergulhar nelas de cabeça. Mantenha o processo levemente estimulante, e não se sinta desencorajado se o Sete se desviar ou saltar em torno do assunto uma porção de vezes. Evite ser enfadonho ou oferecer muitos conselhos, pois os Setes podem reagir de modo ruim a tonalidades similares às do tipo Um. Anedotas, metáforas e histórias podem ser ferramentas de comunicação especialmente efetivas para se lidar com um cliente do tipo Sete.

Algum trabalho da terapia (e ocasionalmente, todo ele) envolverá a preparação do cliente Sete para encarar a possível dor da mudança. Depois que o Sete enfrentou honestamente – e com sucesso – essa perspectiva, a mudança de fato acontece rapidamente. Setes aprendem rápido e podem exigir intervenções surpreendentemente mínimas. Depois de uma longa “pré-terapia”, subitamente está tudo concluído.

Programação Neurolinguística, hipnose, Terapia Breve e outras abordagens têm a reputação de serem rápidas, indolores e eficazes. Porém, os Setes em geral precisam acomodar-se em sua experiência, aprender como suportar a si mesmos, encarar seus medos ou pelo menos examinar a sua dor.

Se você está perfurando em busca de água, é melhor cavar um único poço de 18 metros do que 10 poços de um metro e oitenta. Setes com frequência se beneficiam de um tempo para ruminar, interiorizar, estarem sós, e identificarem seus medos. Embora a terapia clássica de longo prazo tenha saído de moda, em favor de outras formas mais rápidas e efetivas de terapia, vários Setes têm me dito que se beneficiaram muito da consistência e do foco interno das análises Jungiana e Freudiana. Terapeutas que não possuam afinidade com tais práticas podem ainda assimilar um aspecto ou outro, e estruturar seu trabalho com os clientes Setes de modo que o progresso seja estável. Você poderia também pensar em lições de casa que requeiram consistência. Setes podem ser facilmente suscetíveis ao transe, responsivos a exercícios de fantasia ou direcionamento por imagens, a partir dos quais poderão reportar experiências poderosas e fascinantes. Mas um cliente Sete poderia, na presença do terapeuta, ter uma experiência forte e que ainda assim não deixasse qualquer marca em seu problema; ou que parecesse levar a outras mudanças, que não aquela pela qual o tipo Sete buscou a terapia em primeiro lugar. A questão aqui é se a experiência persistirá, se o Sete realmente se transformará. Nem toda mudança é progresso, assim como nem todo movimento necessariamente acontece para frente.

Setes geralmente têm com as autoridades um relacionamento diferente aquele mantido pelo tipo Seis. Enquanto os Seis romantizam ou temem a autoridade, os Setes são mais ambivalentes, menos amedrontados, e geralmente evitam as disputas abertas pelo poder. Pode ser proveitoso equalizar sua relação com um cliente Sete, por exemplo, fazendo perguntas que pressupõem sua igualdade: “O que nós podemos fazer sobre este problema?”. Isso diminuirá o desejo do Sete de encantar ou distrair você. Reenquadrar positivamente a dor do Sete é como oferecer cenouras ao Pernalonga; você estará simplesmente recaindo na defesa básica deste tipo. É mais importante ensiná-los como ficar com sua dor, e como retardar a fuga. De outra maneira, a terapia permanece mental, do pescoço para cima, sem tocar os sentimentos do Sete. O padrão de autoaprisionamento e fuga deste estilo está quase sempre enraizado em emoções “trancadas”, inconscientes.

É aconselhável subdividir os problemas, e concentrar-se em poucas coisas. É melhor ter uma lista de quatro coisas para trabalhar, ao invés de uma lista com 40. Também ajuda alguns Setes a percepção de que eles estão “emprestando do futuro”, acumulando uma espécie de dívida dolorosa. Ganhos a curto prazo algumas vezes levam ao sofrimento a logo prazo, e também a arrependimentos futuros. Se o Sete se tornar consciente do fato, pode ser que isso o motive a trabalhar mais em si mesmo no presente.

Alguns Setes chegam à terapia inconscientemente esperando serem arremessados em uma dor lancinante. Um terapeuta pode precisar adivinhar e trabalhar essa expectativa, reassegurando o cliente de que a razão de vasculhar quaisquer sentimentos desagradáveis é fazê-los gerenciáveis. Uma vez que a defesa básica do tipo Sete é especificamente projetada para protegê-lo de qualquer dor intensa e profunda que o Sete sinta-se impotente para resolver, é melhor evitar que a terapia replique exatamente aquilo que as defesas do cliente foram elaboradas para impedir. Se você mergulhar o Sete em uma memória há muito esquecida, que se encaixe exatamente nessa expectativa negativa, ele não voltará.

Um Sete descreveu a terapia de modo brincalhão como sendo “uma cirurgia de abertura do coração, realizada toda a semana por uma hora”. Essa é uma boa maneira de encarar o ritmo de trabalho de transformação para este estilo. A meta geral é reconhecer a dor, mas digerindo-a em parcelas pequenas e toleráveis. O conceito aqui é transportá-los um pouco para junto da dor que sentem, e então trazê-los de volta, possivelmente ensinando-lhes habilidades para lidar com a sensação ou simplesmente ajudando-os a descobrir que ela é suportável.

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