Chaves para a Mudança – Três – Tom Condon

Chaves para a Mudança – Três – Tom Condon

Três podem ser motivados à mudança por uma variedade de razões, entre elas: um contato com a mortalidade que dá ao Três a consciência de que a vida é curta; um problema médico que requeira que ele(a) refreie o ritmo; uma falha profissional ou uma “crise da meia-idade” na qual o três alcança uma meta de vida significativa e percebe que ela não lhe trouxe aquilo que ele desejava; a exposição de uma mentira duradoura a partir da qual o Três é forçado a encarar a profundidade de sua representação; um choque súbito a respeito de ter negligenciado a parte interpessoal de sua vida, notando, por exemplo, que seus filhos estão um palmo mais altos, e ele não se lembra de quando isso aconteceu. Um repórter televisivo workaholic do tipo Três, que gastou boa parte de seu tempo viajando, começou a repensar suas prioridades quando lhe contaram que sua filha de sete anos o havia visto na TV e dito, “Olhe, mamãe, ali está o homem que nos levou ao zoológico”.

De modo geral, a velocidade pouco saudável de um tipo Três é quebrada por um evento externo. Problemas apresentados a terapeutas podem incluir: dificuldades nos relacionamentos, depressão, stress excessivo, baixa autoestima, o diagnóstico de uma condição médica, alcoolismo social ou conflitos com outros vícios.

Boas metas para a mudança podem incluir: aprender a sentir e a dizer a verdade; identificar a diferença entre emoções autênticas e sentimentos que são derivados de papéis; aprender a arriscar serem amados por quem realmente são, ao invés de serem falsamente queridos por aquilo que não são; reconhecer e aceitar seus medos e inseguranças; tornarem-se pessoas completas ao invés de máquinas de realizações; integrar atividades com sentimentos; aprender aperder; e encontrar um lugar para a espiritualidade em suas vidas.

A Associação Nacional de Aeronáutica americana contou uma vez a um de seus pilotos que seu voo solo sobre o Polo Norte fora oficialmente reconhecido como o primeiro lugar nacional. A resposta do piloto: “É bacana, mas eu sabia o que eu havia feito, de qualquer forma”. Os tipos Três geralmente precisam aprender como validar a si mesmos, a “saber o que haviam feito, de qualquer forma” em vez de buscarem sua autoestima através do reconhecimento externo.

Terapeutas ou coaches trabalhando com um indivíduo do tipo Três podem ter que primeiro assegurar e, posteriormente, reforçar o comprometimento do Três com a mudança. Um novo cliente do tipo Três pode se mostrar tão atarefado a ponto de ter dificuldade em encaixar a terapia em sua vida atribulada. Você pode precisar pressionar clientes do tipo Três com perguntas como, “O quanto isso realmente significa para você?” e “Você tem certeza de que está preparado para isso?”.

Três podem também procurar a terapia buscando informação, correções rápidas ou técnicas de redução de stress. Fique atento à pressão para a produção de resultados rápidos, disfarçada de maneira encantadora e despersonalizada. Alguns clientes do tipo Três veem a terapia como um lugar para se consertarem – uma expressão adicional da autoimagem de “máquina de realizações”.

Os tipos Três não vão com frequência à terapia, a menos que sejam obrigados; e suas razões para buscar ajuda podem ser mal definidas. Quando tive uma clínica particular, especializada em hipnose, um cliente do tipo Três ocasionalmente queria aprender auto-hipnose para a redução do stress. A vida dele era tão ocupada que desejava ser capaz de reduzir seu stress sob demanda – de modo que pudesse ser mais confortavelmente hiperativo.

Ocasionalmente posso concordar com tais pedidos, ao mesmo tempo pesco em volta para ver se o Três tem interesse em fazer outras mudanças. Em alguns momentos essa pescaria fisgou nas profundezas algo mais que aquele tipo Três buscava, e algumas vezes não trouxe nada – dependia muito do indivíduo.

Três têm boas estratégias de aprendizado e são frequentemente dedicados e competentes. Uma vez que se comprometam com a terapia, trabalharão duro no assunto. Eles podem, porém, desempenhar o papel do “bom aluno” para os terapeutas. Podem fazer anotações durante as sessões, sumarizando efetivamente tudo o que você disse a eles, ao mesmo tempo captando mas não assimilando de fato. Se um cliente do tipo Três é inexperiente em autoavaliar-se, ele pode precisar inicialmente de um padrão de detecção, mas a própria detecção não será suficiente, uma vez que o objetivo geral para pessoas deste estilo é descobrir quem realmente são e como verdadeiramente se sentem. Apenas compreender seu comportamento pode deixar suas emoções intocadas.

Construir um relacionamento autêntico com o coach ou terapeuta – alguém que enxerga através do tipo Três, e ainda assim o aceita – também é valioso, se o Três estiver preparado para isso. Para tanto, eles podem ter primeiro que confessar seu calcanhar de Aquiles. Uma das funções da terapia é prover um lugar seguro onde os clientes possam relevar ou descobrir a verdade sobre suas vidas, e isso é especialmente produtivo para os tipos Três.

— Extraído do Dynamic Enneagram por Tom Condon.

Sorry, comments are closed for this post.

Skip to toolbar